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Estudo da UFRGS projeta pico de internações em Porto Alegre entre agosto e setembro
Para pesquisador a cidade ainda conviverá por meses com um alto número de internações
10/08/2020


Luiza Castro/Sul21


Uma pesquisa realizada em conjunto pelos professores Maurício Guidi Saueressig e Jair Ferreira, de Medicina, Cristiano Hackmann, de Matemática, e Carlos Schönerwald, de Economiada, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) projeta que Porto Alegre deverá atingir o pico de pacientes de covid-19 internados simultaneamente em leitos de UTI entre o final de agosto e meados de setembro. A partir dali, iniciaria uma queda gradual que atingiria, em novembro ou dezembro, os índices registrados em abril e maio deste ano e chegaria a zero, ou próximo disso, em fevereiro de 2021.

Carlos Schönerwald, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS e um dos autores do estudo, explica que a pesquisa trabalha com o modelo epidemiológico SEIHDR (Suscetível, Exposto, Infectado, Hospitalizado, Morto, Recuperado), que leva em conta o número de pessoas suscetíveis a serem infectadas por um determinado vírus, típico em epidemias.

“O que acontece durante o ciclo epidêmico? Existe uma população que é suscetível, ela se torna infectada, muitas são hospitalizadas, algumas resultam em casos mais graves, e dessas que são hospitalizadas nós temos os que se recuperam, as que vão para a UTI e acabam se recuperando e as que vão à óbito. Quando você fecha o ciclo epidêmico dessa população, que vai do suscetível até o recuperado e os óbitos, o vírus vai tendo mais dificuldade de encontrar o hospedeiro”, explica.

Em outras palavras, é um modelo que prevê quando será atingida a chamada “imunidade de rebanho”, isto é, quando uma grande parcela da população já está imune por já ter se contaminado e o vírus deixa de circular ou passa a circular em menor intensidade. Ele destaca que não se sabe ainda exatamente qual é o nível de contaminação que irá resultar na imunidade de rebanho real na pandemia de Sars-Cov-2. Para efeitos da pesquisa, foi calculado o índice de 55% da população contaminada.

Neste sentido, pontua que a pesquisa não trabalha apenas com o número de pessoas que testaram positivo para prever a taxa de contaminação na cidade, mas também leva em conta projeções de subnotificação. “Nós temos que levar em consideração que, pelo número de óbitos que vêm ocorrendo, pelo número de hospitalizações e internações que estão ocorrendo, não existem somente 8,7 mil pessoas infectadas (número informado pela Prefeitura no dia da entrevista ao Sul21). Isso a gente sabe que não é. Então, o que a gente trabalha nos nossos modelos, e é o padrão nos modelos SEIHDR, é que vai ter um momento que o vírus vai ter dificuldade de achar um novo hospedeiro. Então, na medida que a população que já foi infectada está recuperada e não mais é infectada pelo vírus, naturalmente você vai tendo um decréscimo no número de infectados, exatamente porque você já tem uma parte da população que já contraiu o vírus e já está imunizada contra uma reinfecção”.

Neste sentido, a avaliação é de que seria necessário atingir entre 30% e 40% da população de Porto Alegre infectada para que a taxa de internações começasse a reduzir, o que deverá, segundo a pesquisa, ser alcançado a partir do final de agosto.

Cenários projetados

A pesquisa trabalha com dois cenários distintos. O primeiro considera a população de Porto Alegre suscetível a ser infectada pelo vírus em cerca de 1 milhão de pessoas e o segundo em 1,5 milhão. Schönerwald explica que, no início de julho, os autores fizeram um artigo com os primeiros resultados da pesquisa e que agora elaboraram um segundo cenário, com uma população 50% maior, para incluir possíveis pacientes da Região Metropolitana e do interior do Estado que são tratados na Capital. Ele destaca que ambos os números, que não são equivalentes ao total da população, levam em conta a possibilidade de existir uma chamada imunidade cruzada, que seria o caso de pessoas que são protegidas ou que tenham sintomas mais leves por outras vacinas ou por terem pego outros tipos de coronavírus.

No primeiro cenário, considerado como mais conservador, Porto Alegre deve atingir o pico de internações em UTIs, próximo a 400 pacientes simultâneos, entre os dias 20 de agosto e 3 de setembro. A partir dali, iniciaria uma redução gradual de internações em UTI, caindo para 300 pacientes simultâneos por volta do dia 21 de setembro, 200 em 5 de outubro, 100 no dia 2 de novembro, 50 entre o final de novembro e início de dezembro.

No segundo cenário, que leva em conta uma população suscetível maior, o pico seria postergado e mais alto, superando as 400 internações simultâneas e sendo atingido por volta do dia 7 de setembro. Neste cenário, a marca de 300 pacientes simultâneos seria atingida por volta do dia 5 de outubro, 200 em 2 de novembro, 100 em 30 de novembro e 50 em 28 de dezembro. “O que a gente entende, pelas demandas de UTI, é que algo vai ocorrer entre os cenários 1 e 2”, afirma Schönerwald, ressaltando que a pesquisa não tem o objetivo de fazer uma previsão taxativa, mas que a projeção é possível de ser feita pelo entendimento do curso da pandemia.

Em ambos os cenários, a capacidade total de leitos dos hospitais de Porto Alegre no momento (383 leitos) seria alcançada em agosto. No primeiro modelo, no dia 20. Já no segundo, mais cedo, no dia 15.

Em termos totais de hospitalização (pacientes internados em UTIs e em leitos de enfermaria simultaneamente) o pico previsto é de 927 pacientes no dia 23 de agosto de 2020 para o cenário 1. E de 1.041 pacientes no dia 5 de setembro de 2020 para o cenário 2. “Quando a gente enxergar uma primeira redução nos notificados, nos infectados, contando mais ou menos de 10 a 14 dias, que é quando o paciente sintomático é internado e tem os sintomas mais graves, aí a gente pode enxergar uma janela futura de redução de hospitalizações, internações na UTI e óbitos”, diz Schönerwald.

O professor afirma que é importante ressaltar que projeções mais precisas dependeriam de maiores índices de testagem para se alcançar um número real de infectados na cidade. Contudo, destaca que os modelos utilizados levam em consideração o cruzamento de dados com outros indicadores, como a curva de óbitos e curva de internações. “Temos que estimar o número de infectados e depois verificar se com esse número de infectados e de internações, bem como esses dados de óbitos, a curva está fechando. O modelo está dialogando porque, por mais que não tenhamos o número (real) de infectados, conseguimos, pelos outros dados, casar”, explica.

Schönerwald reforça ainda que as projeções são válidas apenas para Porto Alegre e que não é possível utilizá-las para outras partes do Estado porque o curso da pandemia é diferente em cada região.

Impacto das restrições

Questionado se o relaxamento ou aumento das restrições à circulação das pessoas poderia impactar as projeções, Schönerwald avalia que, pelo nível de contágio já presente na cidade, a imposição de um lockdown, neste momento, sem uma testagem em massa para que fossem encontrados e isolados os pacientes contaminados, já não teria o mesmo efeito de controlar a ascensão do vírus como há alguns meses. “O lockdown por si só, sem testagem e isolamento de quarentena, ele joga para frente a curva, você não resolve o problema. Mas, a partir do momento que você ainda continuar com indivíduos infectados dentro daquele ambiente, imediatamente o vírus vai de novo encontrar o próximo hospedeiro”, diz.

Neste sentido, ele prevê que, quando se iniciar uma tendência de redução no número de infectados, já será possível dizer que a imunidade de rebanho estará sendo formada. Contudo, ressalta que isso ocorrerá de forma gradual e que, como os modelos mostram, a cidade ainda conviverá por meses com um alto número de internações. Por exemplo, só irá baixar de 50 pacientes internados em UTI simultâneos — marca que só foi superada pela primeira vez em 7 de junho — em novembro (modelo 1) ou dezembro (modelo 2).

“A imunidade de rebanho não ocorre de uma vez só, mas o vírus começa a ter dificuldade de achar o próximo hospedeiro, porque muitas pessoas já estão com a imunidade, isso naturalmente vai acabar reduzindo o número de infectados”, afirma.

Os pesquisadores acreditam, pelos exemplos de São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus — capitais em que os picos de ocupação de UTIs já passaram –, que o ciclo epidêmico da covid-19 está sendo de uma onda única e que o Brasil pode até ter várias ondas, mas que isso ocorre pela disseminação do vírus pelo interior do País. “O número de mortos continua na faixa de mil dia porque o vírus vai entrando nas cidades do interior. Mas aquela região que passa pela onda, pelo surto, a gente está vendo a reabertura do comércio e se observa claramente uma queda no índice de infectados e hospitalizações”, diz Schönerwald.

 

Fonte: Luís Eduardo Gomes/Sul21

 

 
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