Notícias
 
A concentração de renda volta a crescer no Brasil em 2018, diz IBGE
Índice que mede desigualdade subiu depois de permanecer estável por dois anos e foi o maior desde 2012. Rendimento do grupo de 1% mais ricos cresceu 8,4%, já o dos 5% mais pobres caiu 3,2%.
16/10/2019




 Num quadro de lenta retomada econômica e elevado desemprego, o Brasil colheu mais uma notícia negativa no ano passado: a concentração de renda voltou a piorar e o índice que mede a desigualdade foi o maior da série histórica, iniciada em 2012.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (16) e têm como base a Pesquisa Mensal por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Os números do IBGE mostram que o rendimento médio do grupo de 1% mais ricos do país cresceu 8,4% em 2018, enquanto o dos 5% mais pobres caiu 3,2%.

No ano passado, o índice de Gini, que mede a concentração e desigualdade de renda, subiu para 0,509, depois de ficar estável nos dois anos anteriores, quando foi de 0,501. O número é o maior da série iniciada em 2012, e leva em conta o rendimento médio dos brasileiros para todos os trabalhos.

"Historicamente, o Brasil é um país onde a desigualdade é uma das piores. Sabemos que é um dos países com maior concentração de rendimento, talvez entre os 10 maiores", afirma a gerente da PNAD Contínua, Maria Lúcia Vieira.

O índice de Gini varia de zero a 1. Quanto mais próximo de zero, mais perfeita é a distribuição de renda de um país. Quanto mais perto de 1, mais desigual é uma economia. Ao longo dos últimos anos, o melhor resultado para o índice de Gini foi observado em 2015, quando marcou 0,494.

"Essas variações no índice de Gini têm muito a ver com as flutuações na renda dos mais ricos", diz a analista do IBGE, Adriana Beringuy.

No recorte regional, apenas o Nordeste não registrou uma piora da desigualdade no ano passado. O índice de Gini nordestino marcou 0,520, abaixo do 0,531 apurado em 2017. Segundo o IBGE, no entanto, a desigualdade de rendimento no Nordeste só recuou porque os brasileiros com maior rendimento da região tiveram perdas.

Apesar da melhora, a região nordestina seguiu ostentando os piores números de concentração de renda do país. Depois do Nordeste, apareceram Norte (0,517), Sudeste (0,508), Centro-Oeste (0,486) e Sul (0,448).

1% mais rico ganha 33,8 vezes mais que os 50% mais pobres

A análise detalhada do rendimento de todos os trabalhos ajuda a explicar a piora da desigualdade no ano passado. Segundo o IBGE, houve queda em 2018 nos ganhos das classes que formam os 30% mais pobres, enquanto que nas classes de cima houve alta.

Entre os 1% mais ricos do país – ou seja, aqueles que ganham em média R$ 27.744 por mês –, o rendimento médio avançou 8,4% na comparação com 2017. Na outra ponta, os brasileiros que fazem parte da faixa dos 5% mais pobres – com rendimento médio de R$ 158 por mês – perderam 3,2% da renda.

"Enquanto no Brasil aquele 1% aumentou seus rendimentos em 8,4%, no Nordeste houve uma redução. Como é o local com um mercado de trabalho maior que o das outras regiões, lá observamos essa redução em todas as camadas, não apenas entre os 30% mais pobres. Todos perderam", afirma Maria Lúcia.

Com o resultado de 2018, a renda da elite econômica do país, segundo o IBGE, corresponde a 33,8 vezes o rendimento dos 50% que integram a população de menor rendimento (R$ 820). É a maior distância já apurada pelo instituto. Em 2017, essa relação era de 31,2 vezes.

Em 2018, o rendimento médio mensal de todos os trabalhos foi de R$ 2.234, um ligeiro crescimento em relação ao observado em 2017 (R$ 2.107).

10% da população concentram 43,1% da massa de rendimentos
Um outro indicador que ilustra o tamanho da concentração de renda no país pode ser mensurado pela concentração da massa do rendimento médio mensal real domiciliar per capita - nesse quesito, levam-se em conta as várias formas de renda, não apenas a obtida com trabalho. De 2017 para 2018, ela cresceu de R$ 264,9 bilhões para R$ 277,7 bilhões.

Desse total de R$ 277,7 bilhões, a fatia de 10% da população com os rendimentos mais baixo possuíam 0,8% da massa, enquanto os 10% com os maiores rendimentos concentravam 43,1%, segundo o IBGE. Os rendimentos médios mensais dessa elite dos 10% mais ricos superou inclusive a proporção detida por 80% da população (41,2%).

Aposentadoria e pensão ganham importância
A pesquisa do IBGE também apurou que a participação de aposentadoria e pensão ganhou importância na composição do rendimento médio mensal domiciliar per capital. No ano passado, a aposentadoria e pensão representaram 20,5% do rendimento médio mensal domiciliar. Em 2017, essa fatia era de 19,9%.

A maior participação na composição do rendimento médio ainda vem do trabalho (72,4%), seguido por outras fontes (27,6%). Também aparecem outros rendimentos (3,3%), aluguel e arrendamento (2,5%) e pensão alimentícia (1,2%).

“A proporção de pessoas com rendimento de trabalho caiu, e isso tem relação com a perda de empregos. Já a proporção de aposentadorias vem aumentando, o que pode estar relacionado a mais pessoas buscando o benefício e por componentes demográficos, tanto que é mais forte no Sul e Sudeste, onde a população está mais envelhecida”, afirma Maria Lucia.

Bolsa Família em queda
A quantidade de famílias que recebe o Bolsa Família diminuiu nos últimos anos. Em 2018, 13,7% dos domicílios do país recebiam o benefício. Em 2012 e 2014, essa fatia era de 15,9% e 14,9%, respectivamente.

No Nordeste e no Norte, 28,2% e 25,4% receberam o benefício, respectivamente, no ano passado.

Entre os brasileiros beneficiados com o Bolsa Família, o levantamento apurou que 71,7% tinham abastecimento de água de rede em geral, 37,6% tinham tratamento de esgoto, 75,7% contavam com coleta de lixo, e 99,3% possuíam energia elétrica.

Ainda segundo o IBGE, entre os domicílios que recebiam o Bolsa Família, 95,3% possuíam geladeira; 30,2% máquina de lavar; 95,2% televisão; e 13,3% microcomputador.


Por Luiz Guilherme Gerbelli, G1
*Colaborou Carlos Brito

 

 
Veja também
 
 
Ramais - SEDE STIMEPA
  • Telefone Principal: (51) 3371-9000
  • Saúde do Trabalhador - Ramal 9025
  • Cobrança - Ramal 9023 e 9028
  • Jurídico - Ramal 9029
  • Homologação - Ramal 9046
  • Secretaria Geral - Ramal 9026
  • Administrativo/Financeiro - Ramal 9018
 
Redes Sociais
 
 
Folha Metalúrgica
 
Assista
 
Escute
Escolha o áudio abaixo...

 
Boletim Eletrônico
Receba em seu e-mail o boletim eletrônico e informes do Sindicato

Não quero mais participar
 
Veja Também
 
 
O Sindicato
  Institucional
  História
  Diretoria
  Base do Sindicato
  Subsedes
  Aposentados
  Colônia de Férias
  Lazer
Serviços
  Benefícios para Associado
  Tesouraria
  Jurídico
  Homologação
  Médico
Convenções
  Metalurgia
  Reparação de Veículos
  Máquinas Agrícolas
Galerias
  Fotos
  Vídeos
  Escute
  Notícias
  Opinião do Sindicato
  Folha Metalúrgica
  Publicações
CNM  FTM RS  CUT
 
Stimepa - Sindicato dos Metalurgicos de Porto Alegre
Av. Francisco Trein, 116 - Cristo Redentor - CEP 91350-200
Telefone: (51) 3371.9000 - Porto Alegre - RS
 
Omega Tecnologia