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Haddad assina compromisso em defesa das empresas públicas
O documento foi divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, em São Paulo, um dia depois de Haddad avançar para o segundo turno
09/10/2018




 O candidato do PT a presidente, Fernando Haddad, assinou ainda no domingo (7) – dia do primeiro turno das eleições 2018 – um termo de compromisso em defesa das estatais. O documento foi divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, em São Paulo, um dia depois de Haddad avançar para o segundo turno.

Agora, o petista representa a esperança para “o fortalecimento das empresas públicas em nome do interesse coletivo e da soberania nacional”, como afirma o texto. Em oposição, seu adversário no dia 28, o representante da extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL), informa reiteradamente que vai entregar o máximo possível do patrimônio público para empresas privadas.

A coordenadora do comitê, Maria Rita Serrano, que esteve com Haddad, conversou com a Rede Brasil Atual (RBA) sobre o resultado das eleições e o que as candidaturas rivais representam para a soberania do país. “Haddad assinou o compromisso com a defesa do país. Bolsonaro, no mesmo dia, disse que pretende vender tudo que conseguir, ao lado de [o responsável pelo programa econômico de sua candidatura] Paulo Guedes”, disse.

Maria Rita vê a ascensão da extrema-direita no cenário político como resultado de uma descrença da política pela população promovida pelo grande capital. “Isso é em todo o mundo. O ‘mercado’ vem promovendo a divisão, através do discurso moralista e do ódio, para reinar livre. O trabalhador perde e o capital ganha. Multinacionais, grandes dominadores do mundo que vêm submetendo boa parte da população à miséria, enquanto o povo se mata. As pessoas não têm consciência disso e o grande capital segue ganhando. Reforma trabalhista, terceirização, reforma da Previdência. Perde o povo e ganham as forças do capital.”

A coordenadora argumenta e apela para que os eleitores comparem os programas de governo dos dois candidatos. “Bolsonaro não apresenta nada de concreto para o país, a não ser uma perspectiva de retrocesso, preconceito e moralismo. Ele apela para isso porque não tem propostas, ele simplesmente aglutina o desalento da população com a vida política.”

Um dos fatores que levaram a população a tal desalento é o que Maria Rita chama de “massacre” contra a política. “A imprensa promoveu esse massacre, com o Judiciário. Bolsonaro não é uma opção, ele é a falta dela. Ele é a falta de esperança. A mesma coisa [é representada por] muitos dos deputados eleitos aqui em São Paulo, como a Janaína Pascoal, o Tiririca. Essas pessoas demonstram a completa banalização da política”, acrescentou.

A esperança

Por outro lado, Maria Rita coloca como o ponto de valor do processo eleitoral a sobrevivência da oposição progressista. “Nos últimos anos, o PT foi massacrado pela imprensa e pelo Judiciário. Deram um golpe na Dilma Rousseff. Se analisarmos esse massacre, o resultado de ontem mostra que o PT sobreviveu. Elegeu governadores, a maior bancada do Congresso e está no segundo turno. O cenário já foi mais pessimista.”

Ironicamente, o mesmo não aconteceu para os partidos que articularam o impeachment de Dilma em 2016. “O detalhe interessante é esse. O PT sobreviveu diferente de seus algozes. Os partidos que financiaram o golpe, toda essa baderna que virou o Brasil, definharam. O PSDB está perto de acabar”, disse a coordenadora.

“O PT sobreviveu e representa o oposto de Bolsonaro, a retomada da esperança. O desafio agora é mostrar para parte da população que está desconfiada que Haddad tem propostas. Sair do debate mesquinho da moralidade, implantado pela falta de propostas de Bolsonaro. As pessoas têm que ter plena consciência de tudo que está em jogo. Vejo possibilidade de vitória, mas temos que diminuir o sentimento de ódio”, completou.

 
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