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“Temer, golpista, aqui tem resistência”, gritam trabalhadores na desocupação do INSS em Porto Alegre
A saída ocorreu durante ato realizado pelas centrais sindicais, que reuniu centenas de participantes
20/06/2016




 Aos gritos de “Temer, golpista, aqui tem resistência, é a Frente Gaúcha, defendendo a Previdência”, os cerca de 80 trabalhadores e aposentados que ficaram sete dias acampados no edifício Cristaleira, na Rua Jerônimo Coelho, onde funciona a Gerência Regional do INSS, no centro de Porto Alegre, desocuparam o prédio ao meio-dia desta segunda-feira (20). A saída ocorreu durante ato realizado pelas centrais sindicais, que reuniu centenas de participantes.

“Vamos dar uma grande salva de palmas para esses trabalhadores, que são verdadeiros guerreiros da resistência contra o desmonte da Previdência promovido pelo golpista Michel Temer”, disse o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

A decisão de desocupar o prédio foi tomada na tarde da última sexta-feira (17), numa audiência de conciliação ocorrida na Justiça Federal, entre a Frente Gaúcha em Defesa da Previdência e o INSS, que havia obtido uma liminar de reintegração de posse, que estabelecia multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Trazer o Ministério da Previdência de volta

O primeiro ocupante a sair do prédio foi o sapateiro e secretário de Relações de Trabalho da CUT-RS, Antônio Güntzel, que agradeceu aos homens e às mulheres das diversas categorias, que se engajaram no movimento e aos militantes da Via Campesina e do Levante Popular da Juventude, que também se uniram e, juntos, ocuparam o prédio do INSS, enfrentaram o frio e chamaram a atenção do movimento sindical e da sociedade.

“Mostramos a nossa capacidade de resistência e luta, e abrimos caminho para construir um movimento nacional para trazer o Ministério da Previdência de volta. Não é um governo ilegítimo e usurpador, apoiado por uma mídia golpista, que irá retirar os nossos direitos”, enfatizou Antônio, enquanto os trabalhadores e aposentados deixavam o edifício.

O prédio foi ocupado no início da manhã de segunda-feira (13), com a finalidade de retomar o Ministério da Previdência, extinto no primeiro dia do governo interino de Temer. Na quarta-feira (15), os ocupantes foram notificados pela Justiça Federal.

Marcha para a audiência pública

Após a desocupação, os integrantes da Frente Gaúcha formaram a ala de frente da marcha, que tomou a Avenida Borges de Medeiros e percorreu várias ruas do centro da Capital até a Casa do Gaúcho, no Parque da Harmonia, onde aconteceu a audiência pública sobre a reforma da Previdência com o senador Paulo Paim (PT-RS), que reuniu 1,2 mil participantes.

Cerca de 100 agricultores familiares vindos do interior do Estado, que partiram da Praça da Matriz e também participaram do ato, se uniram aos trabalhadores urbanos e ampliaram a caminhada.

Para a coordenadora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do RS e secretária de Política Social da CUT-RS, Cleonice Back, esse ataque aos direitos penaliza todos os trabalhadores brasileiros. “Nós, agricultores familiares, alimentamos esse país e seremos profundamente atingidos com a reforma da previdência”, avalia Cleonice.

Durante o trajeto, várias lideranças sindicais se manifestaram contra as medidas adotadas pelos golpistas, criticando as propostas de reforma da previdência, que desvincula o reajuste dos aposentados e pensionistas do salário mínimo e estipula a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem.

“Nós vamos lutar até o fim contra os golpistas pelo que é nosso”, garantiu o presidente da Federação Democrática dos Sapateiros do RS, João Batista.

O vice-presidente da Federação dos Metalúrgicos do RS, Enio Santos, classificou a ocupação do prédio do INSS como “um ato de coragem da classe trabalhadora”. Ele salientou que “nós vamos permanecer nas ruas, construindo a greve geral”.

Já o presidente do Sindipolo, Gerson Borba, criticou a mídia golpista, que praticamente ignorou a ocupação. Ele lembrou que desde o dia 10 de junho estão acontecendo atos em frente ao INSS, em todo o país, e não sai nada nos grandes grupos de comunicação. “Em 1964, os golpistas usaram os militares para implantar a ditadura. Hoje, a mídia faz o serviço para dar o golpe”, comparou.

Já quase em frente à Casa do Gaúcho, o representante do Levante da Juventude, Carlos Alberto, afirmou que os jovens apoiaram e participaram da ocupação, pois os que estão entrando agora no mercado de trabalho irão sofrer as consequências com o fim do Ministério da Previdência. “A juventude sempre estará do lado dos trabalhadores”, garantiu.

Fonte: CUTRS

 
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